Quito: Levantamento da Polícia Nacional

Notícia enviada por Daniela Maccari, missionária comboniana no Equador, que nos escreve o seu ponto de vista do que aconteceu essa semana em Quito, no Equador. Notícia de 30 setembro de 2010.

Caros amigos, eu vos envio uma opinião do dia  de ontem, 30 de setembro, que nós não esqueceremos facilmente por algumas implicações dramáticas, mas que faz parte da política latino-americano como um todo, que alguns líderes latino-americanos como Chávez & Cia. nos estão habituando…
Isso não tira o reconhecimento de algumas melhorias implementadas pelo governo. Porém, no Equador, acontece há alguns dias uma campanha de assinaturas, promovida por um jornalista, pedindo de forma pacífica e democrática, a demissão do presidente Correa.
Cumprimentos e obrigado pelo seu interesse no Equador, que tem um povo orgulhoso e corajoso…
“Às 19 horas da noite passada (sexta-feira, 30 de setembro) é decolado o primeiro avião e o segundo ouvimos esta manhã, às 06:40 e outro às 06:56. KLM e Iberia, de acordo com agentes de viagem, parecem hoje não pousaram em Quito.
A retirada da Polícia Nacional está relacionada com as Leis de Servidores Públicos, que eliminou alguns benefícios que parecem, na prática, algumas compensações ou o pagamento pelo trabalho de risco ou sem horários fixos realizado pela polícia, como por exemplo mudança de posição na hierarquia a cada 5 anos de trabalho, a cesta de Natal e presentes para crianças, entre outros, por assim dizer, “privilégios”.
O presidente deu uma demonstração de força, declarando estado de emergência por cinco dias (foi suspenso o funcionamento até de escolas de todo o país) e dando ordens ao exército para tirá-lo – de uma forma que era mais que violenta – do Hospital da Polícia, onde foi “seqüestrado”.
A operação foi mantida no ar pela TV até às 22:00, através das câmeras que tremiam até fazer girar a cabeça, mas que  mostraram a coragem de alguns repórteres da Ecuavisa e Teleamazona, posicionados a poucos passos da porta do Hospital da Polícia, e que permitiram ver e acompanhar tudo o que aconteceu.
Nesse momento ocorreu uma chuva de balas de borracha, segundo eles, uma das quais atingiu um cinegrafista da Ecuavisa, mas que continuou a sua missão. Depois a queda de um militar que ficou imóvel no chão, após rolar de uma rampa, provavelmente após ser ferido. Só depois de alguns minutos foi resgatado por outros soldados que o cercaram e o protegeram com suas armaduras e escudos e depois de um tempo o levaram embora.
Acostumados que estamos em ouvir o presidente Correa falar de “conspirações” e dada a “arrogância” com o que incomoda um pouco todas as categorias sociais, não podemos dizer e pensar que houve uma tentativa de golpe, mas sim uma reivindicação dos direitos da Polícia, a qual aderiu abertamente o Chefe do Exército Ernesto Gonzalez acompanhado da cúpula militar, pedindo a revisão da Lei Orgânica do Serviço Público.
OS saques em centros comerciais, os assaltos a vários bancos e outros atos de vandalismo em várias cidades, principalmente na cidade portuária de Guayaquil, demonstraram a importância do trabalho que faz a polícia, sem a qual o país cai no caos. E foi acima de tudo isso que a polícia queria mostrar para que se reconheçam sua missão e seus direitos.
O estilo com que é lançado a primeira ordem de resgatar o presidente do Hospital da Polícia e depois seu retorno triunfal ao Palácio de Carondelet, a Grande Plaza (Praça da Catedral), com um discurso caloroso do presidente, para aqueles que vivem aqui e seguem a política e a vida cotidiana das pessoas, tinha o sabor típico da “Revolução Cidadã”, que segundo o Governo “Está em marcha”, mas à qual se opõem e se manifestam continuamente e com coragem os professores, estudantes, movimentos Indígenas…
Exemplos disso são as Leis de Educação Superior (com toda a oposição que estão tendo da Universidade, incluindo aquelas estaduais), a Lei sobre os Meios de Comunicação, a Lei de Recursos Hídricos e Mineração… Apenas para citar alguns e para dizer que uma democracia imposta do povo equatoriano não existe.
O resultado de ontem, 30 de setembro, além de ter deixado o hospital destruído, de acordo com declarações da administração do hospital, deixou uma pessoa morta e 44 feridos.
De Quito, DM – 7:35 a.m.
Esta entrada foi publicada em Sem categoria. Adicione o link permanente aos seus favoritos.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

You are commenting using your Twitter account. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

You are commenting using your Facebook account. Sair / Alterar )

Connecting to %s